Em tempos de eleições ambos os temas retomam à pauta: o casamento de homossexuais e a legalização da prática do aborto. Comparam-se países e políticas públicas, as Igrejas levantam-se para atacar os defensores de determinadas posturas, os políticos não sabem a quem agarrar-se: aos conceitos progressistas das sociedades modernas laicas ou às urnas eleitoreiras tradicionalmente de fundamentação católico-evangélico patriarcais brasileiras.

Quanto aos religiosos as posturas parecem ser muito fixadas, estabelecidas. Entre os espíritas, por exemplo, o aborto é considerado um crime e a homossexualidade uma expiação de outras vidas. Aborto é sinônimo de assassinato, homossexualidade de desregramento píquico-espiritual em outras encarnações.

No entanto, estes religiosos precisam se questionar quanto às fundamentações de suas doutrinas (ou melhor, como eles entendem as suas doutrinas), afinal, poucos deles se indagam ao contrário:

- Será que a prática ao aborto não é um direito de escolha da mulher? Por que tratar o tema sempre como um “assassinato”? Por que se pratica tanto aborto e, principalmente, nas comunidades mais pobres? É possível desvincular o tema de questões sociais, como se tratasse tão somente de uma escolha individual? O que a sociedade e, os próprios cristãos, fazem, efetivamente, com os filhos paridos e rejeitados?

- Será que todos os homossexuais são “desequilibrados” espiritualmente, como muitas vezes se afirma? Não é uma afirmativa demasiado simplória?  Não há entre homossexuais a sadia realização do amor? Por que moralizar o tema de maneira tão sistemática e radical? Quem disse que somente porque há reprodução entre os gêneros homem e mulher,  a natureza está programada para os relacionamentos “equibrados” serem entre homens e mulheres? Por que tratar o tema como desvio mental ou doença, ou ainda como escolha, quando há homossexualidade entre diversos animais? Estes animais também “erraram” em vidas passadas?

Enfim, as grandes questões de nossa sociedade presente não podem nem devem ser respondidas de maneira simplória, como se sempre 2 + 2 fosse igual a 4. Nós, seres humanos, somos muitíssimo complexos para simplificações – quase todas de cunho extremamente moralista e machista. Graças a isso, me alegro em conhecer três importantes instituições que defendem posturas diversas das que sempre li, escutei e me ensinaram em ambientes religiosos. Não porque eu concorde em 100 % com suas argumentações, mas porque eu creio que é preciso escutar todas as argumentações sérias possíveis para se chegar a uma conclusão particular sobre temas tão fundamentais.

Eis:

A associação que pensa a questão do aborto

CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR,

http://catolicasonline.org.br/ListagemConteudos.aspx?cl=13

e as duas associações, católicas e protestantes, que refletem sobre a homossexulidade,

eis,

DIVERSIDADE CATÓLICA

http://www.diversidadecatolica.com.br/default.php

e

IGREJA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA

http://www.igrejacontemporanea.com.br/j15/index.php

Vele muito a pena conhecer estes sites.